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- Software livre é o eixo da política de TI do Governo Brasileiro
Medidas de fomento ao software livre reduzem custos
do Estado, estimulam o desenvolvimento tecnológico e
viabilizam a inclusão digital. A opção do Governo Federal
pela adoção de padrões abertos e software livre, além
de uma estratégia de racionalização do uso de TI pelo
Estado, é uma forma de disseminar os benefícios da tecnologia
digital a amplos setores da sociedade. Esta é a avalição
de Sérgio Amadeu, presidente do Instituto Nacional de
Tecnologia da Informação (ITI), principal órgão formulador
da política de TI do Governo Brasileiro. A autarquia,
vinculada à Casa Civil da Presidência da República,
é a certificadora da Infra-estrutura de Chaves Públicas
Brasileira e tem ainda a responsabilidade de articular
projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à inclusão
digital. “Estamos optando por modelo de desenvolvimento
de uso de software. Mais do que as vantagens macroeconômicas
(o Brasil remete mais de US$ 1 bilhão por ano em licenças
de software proprietário), o governo tem como objetivo
a ampliação da autonomia tecnológica e da formação de
massa crítica, tanto de desenvolvedores quanto de usuários”,
afirma Amadeu.
Embora a utilização de software livre esteja bastante
madura em vários ministérios e empresas do governo,
nos últimos meses foram adotadas uma série de diretrizes
para sistematizar essa política. Entre as primeiras
medidas, as compras de novas máquinas estarão vinculadas
à compatibilidade das plataformas com padrões abertos.
“Quebramos a lamentável reserva de mercado para o software
proprietário, em que a compra de um computador implicava
a aquisição de um software de determinada empresa. Isso
acabou no Governo Federal”, informa Amadeu. “As novas
soluções devem ser desenvolvidas preferencialmente em
software livre. Quando não for possível, vamos exigir
versões para várias platafomas”, continua. Ele acrescenta
que pode haver novas linhas de financiamento da Finep
(Financiadora Nacional de Projetos) e do CNPq (Conselho
Nacional de Pesquisa), exclusivas para o desenvolvimento
de software livre.
Em agosto do ano passado, representantes de 45 órgãos
públicos reuniram-se para articular suas ações referentes
a adoção de software livre. Segundo Amadeu, já há iniciativas
bastante avançadas, como a fábrica de sites do Serpro
(Serviço de Processamento de Dados do Governo). Na Dataprev,
um dos maiores cadastros do país - os 20 milhões de
beneficiários da Previdência Social - roda sobre sistema
operacional Linux. A Marinha e a Abin (Agência Brasileira
de Inteligência) também estão trabalhando junto a empresas
e universidades, para desenvolver uma plataforma criptográfica
com software gerador de chaves em hardware protegido
contra intrusão. “Isso demonstra que há uma política
clara, que assegura a autonomia tecnológica, assim como
a participação nos esforços internacionais de desenvolvimento”,
observa.
O software aberto é também uma peça central dos programas
de Inclusão Digital, em vários níveis da administração
pública. Amadeu foi o primeiro coordenador de governo
eletrônico da Prefeitura de São Paulo, que, até o início
deste ano, instalou mais de 100 telecentros, onde as
comunidades de baixa renda têm acesso a estações, normalmente
com Linux e OpenOffice. “Em várias cidades do Brasil,
a informática vai chegar às empresas por meio das escolas
e dos telecentros. Levar software proprietário a essas
pessoas seria usar dinheiro público para criar uma massa
crítica que beneficiaria monopólios e comprometeria
e eficiência econômica dos empreendimentos”, avalia
o presidente do ITI. Um passo fundamental da inclusão
digital no Brasil é a utilização de uma verba de US$
1 bilhão (o mercado brasileiro de TI corresponde a cerca
de US$ 20 bilhões) do FUST (Fundo de Universalização
dos Serviços de Telefonia), criado quando as antigas
empresas estatais de telefonia foram vendidas. O volume
de dinheiro cresce a cada dia, pois é calculado como
um percentual do faturamento das operadoras telefônicas.
Conforme Amadeu, esses “recursos são insuficientes até
para conectar as escolas brasileiras, então nós queremos
evitar que o dinheito do FUST seja usado para comprar
licença de softwares. Nós queremos dar um melhor uso
para esses recursos”.
Amadeu explica que o governo anterior queria gastar
uma quantia considerável do FUST com licenças . “Nós
entendemos que as empresas que trabalham com software
proprietário têm o espaço delas, mas a opção do Governo
é por usar plataforma livre. Estamos mostrando à sociedade
que o software livre é muito superior ao software proprietário,
sem decretos ou proibições”, explica.
Segundo Amadeu, as ações do governo Lula tendem a acelerar
a adoção de software livre em outros setores da sociedade,
como já ocorre em várias empresas privadas brasileiras,
de microempresas a corporações. “À medida que tivermos
ministérios, escolas e órgãos públicos trabalhando integralmente
com software livre - e com professores capacitados a
usar GNU/Linux, OpenOffice, Gimp e outras tecnologias
abertas - acreditamos que vai haver um efeito em rede,
que vai permitir que as pequenas empresas brasileiras,
que não são informatizadas, já comecem como paradigma
do software livre”, prevê.
Entrevista Sérgio Amadeu - Software Livre
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